Traficantes usam leilões de cavalo e agenciamento de shows de forró para lavar dinheiro

89

Um leilão de cavalos, que leva o nome de um dos cantores mais famosos do Brasil, recebe um lance vencedor.

“Uma, duas, em R$ 2.300. Sim ou não?”

“É nosso aqui.”

“Duas, três. Vendido!”

Segundo a Polícia Civil, quem fez essa compra, na verdade, queria lavar o dinheiro do tráfico de drogas.

O comprador é Ivan Moura, também conhecido como “Mauro Maromba”. Ele adquiriu o cavalo com o sócio, Yago Cavalcanti, que já foi candidato a vereador em Campina Grande. Yago já havia comprado outros quatro cavalos do haras de Safadão, que custaram cerca de R$ 1 milhão. Ele tinha 15 animais da mesma raça, Quarto de Milha, segundo a polícia.

A investigação aponta que Yago montou um haras no Rio Grande do Norte, e os cavalos eram arrematados, muitas vezes, por valores inflacionados. Em conversa por aplicativo de mensagens, Ivan Maromba avisa:

“Tu se liga quando for comprar pros cara não enganar você. Porque parece que o cara passou mais caro a você, né?”

Yago responde: “Mas não tem nada, não. Depois eu te digo quanto vai valer na minha mão.”

Segundo o delegado do caso, Lucas Rothardand, “o leilão de cavalo em si, para Yago e para Ivan, foi visto como uma forma de fazer uma automonetização sem uma contrapartida de fiscalização. Foi uma forma deles adquirirem alguns animais e, posteriormente, vender esse bem a fim de que o dinheiro volte pra ele com uma colocação limpa.”

O leilão virtual levava a marca do cantor Wesley Safadão, que estava presente na noite dos lances. Mas como Yago e Ivan arremataram os cavalos à distância, receberam um vídeo de Safadão agradecendo pela compra, o que costuma ser praxe nesse tipo de evento.

g1