Vereadora denuncia tentativa de intimidação política nas redes sociais: “Não vou me calar por ser mulher”

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SERTÃOZINHO — A vereadora Ana Kallyne Batista de Oliveira (Republicanos) utilizou suas redes sociais para denunciar publicamente um episódio de intimidação e assédio político. O caso ocorreu após a parlamentar publicar um posicionamento sobre acontecimentos da política local em sua conta pessoal no Instagram.

De acordo com os relatos e capturas de tela divulgados pela vereadora, as críticas legítimas e o debate democrático na publicação foram interrompidos quando ela recebeu mensagens privadas de um colega vereador. Nas capturas expostas, o parlamentar — cuja identidade foi preservada no texto principal, mas associada a alertas sobre investigações judiciais nos prints compartilhados — adota um tom impositivo ao mandar que ela “veja o que anda falando e postando”.

Logo em seguida, em uma tentativa clara de deslegitimar a autonomia da parlamentar, o agressor afirma que irá conversar com os pais dela sobre suas opiniões.Reação e defesa da autonomia feminina na políticaA resposta da parlamentar veio de forma contundente e firme. Ela rechaçou a tentativa do colega de envolver sua família para tentar censurá-la ou constrangê-la publicamente.

“Meus pais não precisam responder pelas minhas posições políticas. Assim como qualquer homem que ocupa um espaço público tem o direito de se posicionar, eu também tenho. Discordar de mim é um direito. Tentar me intimidar ou envolver minha família para que eu me cale é outra coisa”, desabafou Kallyne.

A vereadora também destacou o viés de gênero na abordagem, ressaltando o machismo estrutural que ainda permeia os espaços de poder e o ambiente legislativo municipal. “Eu não vou me calar por ser mulher. Posso ser respeitosa e, ao mesmo mesmo tempo, firme. Política se faz com debate, argumentos e respeito. Não com intimidação”, completou.

O episódio joga luz sobre os desafios enfrentados por mulheres na política partidária, especialmente jovens parlamentares em municípios do interior, que frequentemente lidam com tentativas de infantilização ou tutela de suas carreiras por lideranças tradicionais. Ao encerrar seu posicionamento, Kallyne Batista reforçou a importância da representatividade feminina: “Se a minha voz incomoda, talvez seja porque finalmente estamos ocupando espaços que por muito tempo disseram que não eram para nós.”