O coordenador do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), Octávio Paulo Neto, criticou o sistema de execução penal do Brasil e disse que o avanço das organizações criminosas no país ‘beira a uma mexicanização’. As declarações críticas do especialista foram dadas em entrevista à CBN, nesta quarta-feira (8). Conforme acompanhou o ClickPB, Octávio Paulo Neto, também desabafou sobre o desafio que é atuar com êxito em meio a um “sistema inoperante, disfuncional com as penas a executar”.
“O Brasil não consegue fazer com que certas pessoas fiquem presas. Nos presídios você vai ver as pessoas que tem os extratos mais baixos, o que coloca o Brasil distante de uma democracia. De certo modo, isso traz consigo uma reflexão sobre a total impunidade. Quando você alcança uma pessoa que se acha inatingível as regras do jogo mudam, isso faz com que haja um estado de coisas muito singular e que chama a população, que deve usar sua consciência cívica para mudar essa realidade”, analisou.
O órgão atua em investigações complexas, com apoio de inteligência e integração com outras forças de segurança. “O Gaeco fez grandes operações que se perpetua nas relações de poder com o crime e o trabalho não para com o combate contra isso tudo principalmente dessa mistura das facções com a política. É muito comum a intercessão do crime com a política por que buscam espaços, a política perdeu a vergonha e vem se misturando com o crime, isso transgride os pilares básicos da cidadania”, destacou.

