Em meio a bloqueio de rodovias, Bolsonaro se reúne com caminhoneiros em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu nesta quinta-feira (9), em Brasília, com representantes de um grupo de caminhoneiros que promove bloqueio de rodovias no país em apoio ao governo e contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, também era esperado na reunião – ele está à frente das conversas com caminhoneiros desde quarta (8) –, mas o Planalto não informou se o ministro participou do encontro. Deputados aliados de Bolsonaro também estiveram no Planalto.

Essa ação de Bolsonaro é uma tentativa de desarmar uma bomba que ele mesmo armou, ao estimular protestos de caminhoneiros em meio aos atos antidemocráticos de 7 de Setembro.

Após a reunião, parlamentares bolsonaristas e representantes dos caminhoneiros falaram à imprensa no Palácio do Planalto.

Um dos caminhoneiros, Francisco Dalmora Burgardt, declarou que o grupo deseja um encontro com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Questionado, ele negou que a pauta de discussões inclua a sequência de alta no preço dos combustíveis.

“Não temos nada com relação ao preço do combustível”, disse.

Sobre o pedido feito por Bolsonaro na quarta-feira (8) para que os caminhoneiros liberem as rodovias, Burgardt disse que o presidente não fez nenhum pedido ao longo da reunião, e que foi “cordial” durante o encontro.

Protestos preocupam governo

A equipe econômica e o próprio Palácio do Planalto estão preocupados com o risco de o movimento aumentar e causar problemas para a economia. O próprio presidente fez esse alerta em áudio enviado a caminhoneiros na noite de quarta.

No áudio, Bolsonaro pede aos caminhoneiros que liberem as estradas do país e diz que a ação “atrapalha a economia” e “prejudica todo mundo, em especial, os mais pobres”.

No Ministério da Economia, a lembrança é da greve de caminhoneiros no governo Michel Temer, em maio de 2018, quando o país enfrentou dificuldades de desabastecimento. Na época, o então Ministério da Fazenda calculou que a greve fez o país perder um ponto percentual de crescimento.

G1