Lucas Santino confirma que Leto e Roberto Santiago compraram vereadores para impedir instalação do shopping Intermares


O ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Cabedelo, Lucas Santino, esteve na tarde desta quarta-feira (26) na Câmara Municipal de Cabedelo, onde prestou depoimento à Comissão Processante que trata do impeachment do prefeito afastado Leto Viana. Em seu depoimento, Lucas confirmou todo o esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal e o Ministério Público da Paraíba (MPPB), por meio do Gaeco, na Operação Xeque-Mate, envolvendo políticos e servidores municipais.

Ele ratificou todas as declarações e denúncias feitas à Polícia Federal.

Lucas Santino disse que o prefeito afastado Leto Viana sabia de toda a transação, sendo, inclusive, beneficiário de todo o esquema, que começou com a renúncia do então prefeito Luceninha.

Ele confirmou a compra do mandato e que contou, inclusive, com a participação, de forma direta, do então vice-prefeito da época Leto Viana.

“Nas divisões do pagamento dos cargos teve a participação de forma direta do vice-prefeito na época, Leto Viana”, afirmou.

Citou a ligação do empresário Roberto Santiago no esquema e a participação do radialista Fabiano Gomes , embora, durante a reunião, tenha se recusado a responder mais questões envolvendo Fabiano.

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Disse que testemunhou vários pagamentos feitos a vereadores que participavam do esquema. Muitos pagamentos, inclusive, foram feitos tanto por ele quanto pelo prefeito afastado Leto Viana.

Segundo Lucas Santino, Leto tinha a prática habitual de bancar a parte da campanha de alguns candidatos e que quem conseguia se eleger, nomeava pessoas indicadas por Leto, que dessa forma recebia de volta o valor investido na campanha.

Disse que por meio das cartas-renúncia, Leto Viana coagia os vereadores a aprovar os projetos que ele queria.

O ex-presidente da Câmara confirmou a existência de servidores fantasmas na prefeitura de Cabedelo, todos nomeados por Leto. Disse que Leto Viana nomeava pessoas que não iam trabalhar e que o gestor ficava com uma parte do dinheiro, do salário, desses servidores. Alguns servidores, inclusive, só eram beneficiados apenas com o pagamento da contribuição da previdência, uma vez que alguns estavam interessados apenas em contribuir para a previdência, pensando na aposentadoria.

Shopping
Em seu depoimento disse que Leto Viana participou de forma direta para impedir a construção do shopping Intermares a pedido de Roberto Santiago e que pagou a vereadores para impedir a instalação do empreendimento.

Lucas Santino é considerado a testemunha mais importante do processo, uma vez que ele foi o pivô da deflagração da Operação Xeque-Mate, a partir de sua delação premiada.

A população de Cabedelo lotou a Câmara Municipal para acompanhar o depoimento, que foi aberto ao público por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Lucas Santino foi ouvido hoje na condição de declarante e não de testemunha, para tentar preservar a delação premiada que fez, segundo informou o advogado Alexandre Soares de Melo, representante do PSOL.

O impeachment do prefeito afastado Leto Viana foi proposto por Marcos Patrício, presidente do PSOL em Cabedelo, que ingressou em maio com o processo na Câmara de Cabedelo. Marcos Patrício participou da oitiva realizada hoje como denunciante.

Depoimento adiado
A oitiva de Lueldo Santino da Silva, irmão de Lucas Santino, que aconteceria hoje, foi adiada para a próxima segunda-feira (1º de outubro), às 14h. O adiamento, segundo o vereador Evilásio Cavalcanti, presidente da Comissão Processante, ocorre por conta da exoneração do corpo técnico da comissão, ocorrida ontem (25). O detalhe é que Lueldo já se encontrava na Câmara e, apesar dos protestos do denunciante, Marcos Patrício, o depoimento de Lueldo foi adiado.

O depoimento do vereador afastado Júnior Datele, que também estava previsto para ocorrer hoje, não aconteceu, uma vez que, como não foi localizado, ele não foi notificado.






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