Bolsonaro é o presidenciável mais citado por robôs no Twitter, aponta pesquisa


O deputado Jair Bolsonaro (PSL) foi o candidato mais citado por robôs (bots) nos últimos sete dias no Twitter, revela o Trending Botics, ferramenta lançada nesta quarta-feira (26) pelo Congresso em Foco em parceria com a FCB Brasil. O nome dele apareceu em 276.767 tuítes gerados artificialmente na rede desde 19 de setembro.

Os 13 presidenciáveis foram mencionados em 406.742 mensagens produzidas por 38.789 robôs nesse período. A pesquisa não faz juízo de valor. O levantamento inclui tanto postagens favoráveis quanto contrárias em relação a cada candidato. As citações a Bolsonaro, que representam 68% do total, são quase cinco vezes superiores às registradas pelo vice-líder do ranking, o pedetista Ciro Gomes, objeto de 62.668 tuítes feitos sem interação humana. A terceira colocação é de Fernando Haddad (PT), mencionado em 56.181 publicações. Geraldo Alckmin (PSDB) e Alvaro Dias (Podemos) completam a relação dos cinco postulantes ao Palácio do Planalto mais mencionados por robôs.

O Trending Botics vai monitorar a atividade dos bots envolvendo os candidatos a presidente. Por meio de uma plataforma online, os usuários poderão acompanhar e comparar diariamente os temas políticos mais compartilhados por esses robôs, que fazem com que determinados assuntos alcancem um número cada vez maior de pessoas e ganhem relevância.

Nos últimos sete dias, por exemplo, um dos momentos de grande atividade de bots se deu na última quinta-feira (20), durante o debate com os presidenciáveis da TV Aparecida. Foram 15.143 tuítes gerados por 3.688 robôs.

Pauta artificial

Os robôs são capazes de fazer um tema se transformar em tendência, espalhar um boato e, inclusive, ser importante arma política. Em 2014 foi provado o uso de robôs para inflar assuntos nas eleições brasileiras, assim como nas últimas eleições americanas. A ideia do Trending Botics é mostrar se um determinado assunto ganhou importância por meio de bots.

Esses robôs se passam por usuários reais, que postam e interagem massivamente com os tuítes que lhes convêm, criando um engajamento artificial. Isso faz com que um determinado tema – muitas vezes apoiado por fake news – alcance um número cada vez maior de pessoas e ganhe relevância.



O processo
O Trending Botics se baseia no Botometer, um algoritmo de machine learning concebido para classificar uma conta como “humana” ou “robô” por meio do cruzamento dezenas de milhares de parâmetros e definições.

Esse algoritmo é aberto ao público e foi desenvolvido pela Indiana University Network Science Institute (IUNI) e pelo Center for Complex Networks and Systems Research (CNetS). A plataforma também faz uso das APIs de streaming do Twitter, responsáveis por mandar para a nossa base de dados todos os tuítes que incluem os termos registrados. A partir daí, utilizamos o Botometer para ver quais usuários são prováveis bots, registrando-os bem como seus tuítes em um outro banco de dados, que também alimenta a nossa plataforma.



Fonte: Congresso em Foco

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